sexta-feira, 13 de julho de 2012

No Oceano com Mr. Conrad



    Imensidão de água sob os pés 
    Dentro do barco bêbado o mar no convés 
    A paisagem se rompe e muda aos poucos 
    com a vinda de outra nau errante pelas marés 
    um fato, como um acidente geográfico 
    que passa com seu tráfico ocasional 
    O sabor das ondas 
    às vezes é o dissabor da vida 
    me diz, professor 
    fitamos: 
    centenas de vidas vis ardendo ali 
    Naus, como palavras 
    sobre os mares vêm e vão 
    esfaceladas pela lâmina cortante das águas 
     


    Nada dizem os mapas 
    técnica, ciência, saber 
    não espere mensagem, nenhuma 
    nem das inúmeras garrafas 
    que se confundem com as vítreas águas, 
    como vagas de cristais 
    Embora assim, honrado me sinto 
    nos convés 
    de Mr. Conrad 
    Horas fiamos 
    Fitando a circularidade do horizonte 
    dizimando nossa fraqueza 
    de discernir o humano: 
    incapaz de bússola 
    ele a concebe para os ares 
    e para os estelares 
    A água balança o cérebro 
    me diz Mr. Conrad 
    E ah, também entorta as bengalas 
    lhe digo eu 
    E caímos na risada 

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